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Monday | December 1st, 2008

Tira nº 152 - OM#0073

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Castanhas para todos

November 2nd, 2008

O Governo da República Portuguesa anunciou domingo a nacionalização de um banco ridículo chamado Banco Português de Negócios, do qual 78% dos portugueses nunca ouviu falar. De acordo com o Ministro Teixeira dos Santos, o governo decidiu intervir devido à situação “excepcional, delicada e anómala” do BPN, que se traduz em perdas acumuladas de 700 milhões de euros (uma porrada de contos, em dinheiro antigo).

O trio de adjectivos empregues pelo MF constitui um esforçado mas desnecessário eufemismo, que se traduz por “aquilo estava tudo fodido“. De acordo com Nicolau Santos, director-adjunto do “Expresso”, entrevistado na SIC Notícias, o governo devia simplesmente deixar o BPN falir, porque se tratava de um banco irrelevante no grande panorama do sistema financeiro nacional e porque assim como que se premeia a (alegada) incompetência dos maus gestores.

Acontece que o BPN se recusava a acreditar que poderia ter problemas de contabilidade: sempre que um auditor detectava algo de errado, os gestores decidiam substitui-lo. Não vemos nada de errado nisso, porque somos optimistas e pensamos que é importante pedir sempre segundas ou terceiras opiniões até que esteja tudo bem.

Esse mesmo optimismo, impede-nos de subscrever as visões negativistas sobre este processo, sobretudo depois de uma fonte do Ministério das Finanças ter afirmado que este São Martinho haverá distribuição gratuita de castanha assada a todos os portugueses. Acontece que a actividade económica diversificada do BPN ia dos seguros às castanhas, sendo, aparentemente, o maior produtor nacional deste alimento.

A mesma fonte governamental adiantou ainda que, além da oferta de castanhas simbolizar uma espécie de “distribuição de dividendos” aos accionistas, nasce também do facto de que “não sendo possível aumentar a função pública ao nível da inflação, pensámos compensar os cidadãos com uma dúzia de castanhas assadas, adequadamente enroladas em folhas de papel branco A4 de 80 gramas, de acordo com recomendações da ASAE“.

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Semana do godemiché

October 12th, 2008

No âmbito da comemoração do Dia Internacional do Godemiché, que coincide com a recentemente instituída Semana Europeia do Godemiché, realizada sob o Alto Patrocínio da Comissão Europeia, Tira Tira!, sempre atento a questões da actualidade socialmente relevantes, não podia deixar de se associar a tão dignas iniciativas.

Tínhamos planeado uma resenha histórica do godemiché, mas, entretanto, perdemos a pachorra para o fazer. Basta saber que há godemichés desde que existem homens e mulheres com orifícios onde introduzi-los. Ao mesmo tempo que um homem lascava uma pedra de forma tosca e rude, para usar como utensílio ou arma, uma mulher polia cuidadosamente, até ficar lisinha, outra pedra, esguia e com 20cm de comprimento.

Os godemichés, também conhecidos como dildos, consoladores ou massajadores faciais, existem numa grande variedade de formas e tamanhos, e com propósitos específicos, sendo os mais comuns a penetração vaginal e anal.

A Wikipedia refere algumas leis idiotas, em país distantes e exóticos como os EUA ou o Japão, onde há limitações ou proibições na utilização do godemiché. Num caso citado, na aplicação da lei do Estado do Texas, uma mulher foi condenada depois de ser apanhada a vender um godemiché a dois polícias à paisana que se passavam por casal pervertido. Um país em que dois polícias se tornam agentes provocadores e se disfarçam de compradores de godemichés para apanhar uma dona de casa prevaricadora não é um país onde se possa dizer que as pessoas batem bem dos cornos.

No Japão, os fabricantes disfarçam os godemichés de brinquedos, tipo Hello Kitties. Coitados. Se não se pode proibir as pessoas de enfiarem objectos comuns, como comandos de TV, courgettes, garrafas de Absolut, etc., na vagina ou no ânus, como é que alguém se vai lembrar de proibir um objecto especificamente produzido para o efeito? É que é mais seguro, mais higiénico e mais eficaz. Essa proibição leva a utilização de objectos menos adequados, sendo, pois, um grave perigo para a saúde pública.

O godemiché tem marcado presença na poesia e literatura, mas seria enfadonho listar muitos exemplos. Os estudiosos dizem-nos que Luiz de Camões terá começado por iniciar um dos seus mais conhecidos sonetos por “Amor é godemiché que entra por trás sem se ver”, tendo, no entanto, mudado o texto na manhã seguinte, já sóbrio, utilizando meios de composição poética mais convencionais, como a metáfora.

Nas cantigas de escárnio e mal-dizer medievais encontramos referências ao godemiché a dar com pau. Vamos reproduzir apenas um poema de Fernand’ Esguio, incluído no livro “Cantigas Obscenas de Escárnio e Maldizer”, de Orlando Neves (Editorial Notícias, 2004), com textos seleccionados dos que foram compilados em 1965 por Rodrigo Lapa.

Para vós, Dona abadessa,
eu, o D. Fernando Esguio,
estas prendas vos envio,
porque sei que esta remessa
vós, dona, a merecereis:
quatro caralhos franceses,
sendo dois para a prioresa.

Já que sois amiga minha
e em nada quero poupar,
isto vos mando entregar
que outros não terei tão asinha:
quatro caralhos de mesas,
que me deu uma burguesa,
cada par numa caixinha.

Muito bem vos parecerão,
pois até trazem cordões
para cada par de colhões.
Em breve os entregarão:
quatro caralhos asnais,
tendo pegas de corais
para levar à boca o pão.

O texto, na adaptação para português moderno pelo autor, é explicitado numa nota de rodapé onde se diz que “a cantiga alude a um objecto, em uso na Idade Média, que hoje é conhecido por vibrador (o «consolador») que certas mulheres utilizavam quando não podiam (ou não queriam) ter relações com homens.” Um comentário que nos leva às lágrimas tal a ignorância. Desde logo, um godemiché não é tradicionalmente “um vibrador”, nem havia pilhas no Século XIII.

Mas vejamos, agora, en passant, um par de mitos relacionados com o godemiché, desmontados pelo site Mypleasure.com (um bookmark obrigatório).

Mito: Um homem que gosta de levar com um godemiché na peida é panilas.

A verdade: Nada disso! A orientação sexual não tem nada a ver com os actos de prazer que cada um aprecia. Disparate! Muitos homens que são 100% (ou mais) hetero gostam de ser massajados, dedilhados ou penetrados cu adentro, até perder de vista.

Mito: Um homem que gosta de levar na peida de uma mulher com um strap-on é anormalmente submisso.

A verdade: Esperem aí… Mito? Qual mito? O site está errado, claro que é submisso. So what? E o que será “anormalmente” submisso?

Ficamos por aqui, por ora, pois como acho que já foi referido, temos mais que fazer. Esta semana é, assim, dedicada ao godemiché, em tiras tão feministas que até faz impressão – sim, porque por cá gostamos de mulheres, mulheres que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres que gostam de homens – e que serão publicadas, como tem sido norma, à segunda (hilariante), quarta (de mijar a rir) e sexta (muito engraçada).

O que não quer dizer, como é óbvio, que o godemiché não vá tendo presença nas tiras futuras. Au contraire.

Não se esqueçam, amiguinhos e amiguinhas, o que é importante é brincar em segurança e sem espalhar doenças por aí. Usem lubrificante assaz e leiam sempre as instruções do fabricante, e se adquirirem um daqueles com depósito, certifiquem que não vem carregado com leite made in China.

Esta semana vamos pôr o godemiché na boca de toda a gente!

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Pornografia II

October 10th, 2008

Esta cena da pornografia dá um trabalhão do caraças. Nunca pensei. Tem que se pensar em montes de pormenores estéticos. Fazer humor negro com a actualidade ou com o Sócrates é fácil; basta espreitar um jornal ou ligar a TV. Mas, enfim, não vale a pena choramingar. Vamos em frente.

Apresento-vos agora mais alguns estudos para a tira regular “A vida debochada de Fannie Mae e Freddy Mac”. É assim uma espécie de making of - o que é sempre cool.

Na pornografia as mamas têm um substancial relevo, pois são das primeiras coisas que se revelam (segundos antes de arrancar o habitual esquema fellatio - cunnilingus - ele por cima - por trás - ela por cima - queres que te ejacule na cara, cabra? - sim, sim!).

Assim sendo, urgia efectuar um estudo sério sobre a prateleira da personagem principal da tira; a debochada e controladora Fannie Mae.

A primeira imagem, a original, apresenta a personagem com umas mamas que alguns considerarão “pequenas”. Há que ter pena dos infelizes que não apreciam um bom par de mamas maneirinho. Pequeno, seja. E o contorno e o modo como os mamilos se destacam; enfim, a personalidade? Nada?

Mas as estatísticas não enganam: 70% dos homens preferem ser sodomizados do que ter sexo com uma mulher com mamas pequenas. Essa opção seria, assim, um factor de distracção. A maior parte dos leitores não chegaria ao substrato da história: “Eh, foi isso que arranjaram?!”, “Sai ao pai!!”, entre outros disparates.

As mamas “pequenas” trariam outra questão relacionada com a caracterização da personagem, pois obrigariam a classificá-la como um tipo intelectual. Mamas pequenas igual a executiva, cientista, bibiliotecária, etc. É um facto da natureza incontornável que não é genético mas prático. A mulher com grandes balões afirma-se assim: “Estudar o quê?! Olhem para as minhas mamas. OK?”

Assim, Fannie Mae podia, eventualmente, ser a modos que intelectual. Tal não impediria que fosse também uma debochada, mas era provável que fosse difícil de criar empatia com a maior parte dos leitores. “Intelectual, heeh, isso faz-me pensar em metáforas e coisas assim! Ainda por cima sai ao pai!!”

Acresce que alguns analistas iam perder tempo a criticar a pornografia por ser “politicamente correcta”. E não queremos isso. Não, nope.

Na pornografia um bom - i.e. maior do que a própria vida - par de mamas é sempre um valor acrescentado. Mas às vezes pode também distrair, quando se quer passar alguma mensagem ou se, por alguma razão, se pretender contar uma “história”. Sei lá.

Um par de mamas assim poderia ser uma boa opção. Mas tem um grave problema: pode levar algumas pessoas a pensar “Jennifer Connelly! Jennifer Connelly!” E isso pode ser não só negativo, como extremamente frustrante; se depois de todo o trabalho de desenhar e de conceber um bom texto e formatar a tira, os leitores só disserem “Jennifer Connelly! Jennifer Connelly!”

O bom senso ditaria, pois, que a melhor opção seria por um par de mamas relativamente “volumoso” e com um ar “saudável”.

Mas não seria tal contribuir para perpetuarmos clichés de beleza lamentavelmente standartizados, que têm levado tantas jovens raparigas com pares de mamas perfeitamente funcionais, roliços e com dois mamilos sorridentes e convidativos, a encherem-nos de plástico, para deleite de camionistas e mecânicos desse mundo fora, que enfeitam os seus locais de trabalho com calendários com modelos nuas que já se desgraçaram com silicone, e só vêem pornografia do estilo “Super Mamonas ao Ataque”?

Quer dizer, por ser pornografia não pode ser sensível e com uma mensagem socialmente positiva? Eu acho que sim.

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Pornografia

October 9th, 2008

Devido à falhas nas previsões no que toca a tráfego no site, que se situa em cerca de 0,023% do que esperávamos, decidimos embarcar numa linha editorial diferente e claramente mais comercial, na esperança de aumentarmos os hits em 500 vezes (ou mais) assim, tipo, em quinze dias ou isso. A opção só podia ser pela pornografia pura e dura.

Ei, não nos olhem assim. Afinal, nós tentámos um humor refinado cheio de metáforas e comentários acutilantes à actualidade, à sociedade em que vivemos, etc. etc. Mas “ah não leio jornais”, “ah não tem piada nenhuma, não dá para votar zero?!” e mais não sei quê. Ter que aturar isso dia sim, dia não? Quer dizer, foda-se, não é? Mas queriam telenovelas?! Só querem mamas e cus e tortas na cara? Então que tal tortas nas mamas e o cu na cara? Não soa nada mal, hã? Pode ser que ainda se arranje uma ou outra metáfora. Metáfora, huuuuuu.

Imagem: “A vida debochada de Fannie Mae e Freddy Mac”, de CiEL (estudo de personagens)

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Tira EXTRA: Sábado 27 Setembro

September 26th, 2008

Este sábado vamos publicar uma tira extraodinária, que entrará às 21h30, i.e., no intervalo do jogo de futebol entre duas equipas da capital. Assim, quando estiver furibundo por a sua equipa estar a apanhar três secos ao intervalo, em vez de espancar a mulher venha até cá e ria-se. Ou, pelo menos, trasfira a sua raiva para a tira.

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